Carta aberta aos Recursos Humanos

Prezados RHs,

Seria até engraçado se não fosse frustrante procurar emprego para Mídias Sociais/Marketing Digital em anúncios de empregos no Rio de Janeiro. Vejo que alguns de vocês (ou os gestores da área) não sabem nem o que isso quer dizer ao certo, talvez se resuma ao “cara-da-internet”: não existem divisões de programador, redator, planner, profissional de links patrocinados, editor de vídeo, professor de inglês (!!!)… Ele irá resolver todos os seus problemas no mundo digital e, claro, SOZINHO.

Visto que a maioria das vagas está destinada a estagiários e/ou assistentes, a remuneração resume-se a uma ajuda de custo. Isso quando não está “a combinar”, o que faz tanto o entrevistado quanto o entrevistador perderem tempo. Seria mais justo e prático a empresa divulgar quanto pretende pagar para o profissional. Porque isso parece uma estratégia maliciosa para que o entrevistado, em um ato de desespero, afinal está desempregado,  se desvalorize barganhando um salário abaixo do mercado. O que é ruim para ambos os lados, não acha? Profissional insatisfeito não trabalha motivado, correto?

Todo esse texto soaria recalcado caso não tivesse base nas infelizes descrições de vaga que aparecem por aí, como essas:

“Atuar com todo tipo de pesquisa em redes sociais, como Orkut, Sonico, MySpace, Via6, Facebook, Multiply, Twitter, Hi5, Habbo, Ning e Linkedin.”

Grande parte das redes sociais citadas no anúncio não apresentam tráfego de usuários relevante, principalmente para o público brasileiro.

“…Excelente conhecimento em programação, java e html”

Peraí: excelente conhecimento em programação? A vaga não deveria ser para programador? Ainda mais precisando saber JAVA…

A lista pode ser maior, bem maior, mas depois de passar por essa incrível peneira as coisas podem piorar.  Principalmente na questão idiomas tenho duas experiências engraçadas interessantes. Na primeira, o entrevistador mal sabia falar e formular perguntas e ainda me disse que nem era TÃO importante, mas SÓ um item eliminatório (rs). Na segunda o entrevistador exigia uma fluência nativa com certificado TOEFL porque os dois últimos funcionários da vaga eram professores de inglês.  Era um pedido do contratante e o inglês era apenas para se reportar a ele, já que o cotidiano da empresa e o contato com o público eram todo em português. Inclusive o site, mencionado na entrevista, que precisava duplicar seu acesso e melhorar seu posicionamento nos mecanismos de busca; nada que um certificado TOEFL não ensine, né?

Gostaria muito de mudar de cidade (São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis…), mas aí teria que ser A vaga para poder pagar minha mudança, meu aluguel… E sabemos que ESTAS vagas não estão caindo do céu!

 

 

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Sobre o Autor

Bruno Francesco

Formado em Publicidade, MBA em Marketing Digital e Músico. Mantém as duas carreiras: publicitário e cantor.

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